Ah, 1998. Eu era um noob glorioso no mundo da informática, tropeçando em ícones do Windows 95 como se fossem minas terrestres. Aí ouvi falar de Linux. Parecia senha de clube secreto – daqueles que só os eleitos entram. Olhei para a tela pela primeira vez e… nada. Zero compreensão. Meu cérebro: Isso é chinês ou o quê?

Não era como os sistemas da época, que te levavam de mãos dadas (e às vezes te carregavam nas costas). Linux? Puro caos cru. Técnico, misterioso, como um manual de instruções escrito por um engenheiro bêbado. Para iniciantes como eu, era o equivalente a aterrorizante e viciante ao mesmo tempo. Tipo pular de paraquedas sem saber abrir o cinto.

E o pior: minha ideia inicial era hilariamente errada. Pensei que Linux era pra invadir computadores alheios. Culpa das revistas sensacionalistas, fóruns cheios de gênios e conversas sussurradas. Na minha cabeça de novato, era ferramenta de hackers de filme, longe do usuário comum. Eu? Eu nem sabia o que era um kernel, mas já me via como o próximo Morpheus.

Curiosidade > bom senso. Instalar Linux em 1998? Não era pra fracos. Meu campo de batalha: um 486 DX2 66 – relíquia de museu hoje, mas na época, um supercomputador de pobre. Sem YouTube, sem tutoriais “clique aqui, bobinho”. Era insistência pura, erro atrás de erro, e aquela teimosia que separa os persistentes dos desistentes.

Depois de n tentativas fracassadas, boom: Slackware instalado. O boot screen piscando foi meu Oscar pessoal. Não era só código rodando – era eu, rei do meu 486. Conquista épica, orgulho transbordando. Aquela porta se abriu para um mundo novo, e o Linux deixou de ser monstro pra virar meu monstro de estimação.

Mas ironia mode on: o modem. Ah, o modem – santo graal da internet discada. Sem ele, era como conquistar um castelo e descobrir que a ponte levadiça tava quebrada. Doía na alma. Queria navegar, hackear o mundo (metaforicamente, ok?), mas nada. Experiência incompleta, frustração nível expert.

Ainda assim, o encanto sobreviveu. Linux me deu a lição número 1: paciência é o verdadeiro superpoder. Nem tudo roda de primeira. A recompensa demora? Quando vem, é sabor de vitória imortal.

Hoje, com saudosismo afetuoso, olho pro meu 486 e pro Slackware e sorrio. Foi confusão, paranoia de hacker, modem teimoso… mas no fim, descoberta pura. Transformei o estranho em familiar. E naquela tela finalmente funcionando em 1998? Eu era o rei do reino digital. Pinguim 1 x 0, mundo. Vida longa ao Linux – o SO que me fez rir das minhas próprias bobagens.